O Laboratório de Psicanálise, Clínica e Institucionalidade é um “anticoletivo” experimental de psicanálise fundado em 2025. Sua função é criar um espaço de reflexão e trabalho crítico em relação à psicanálise, sua clínica e suas tecnologias institucionais. Ou seja, um coletivo que tem como visada a capacidade crítica em relação à própria institucionalidade – é isso que estamos chamando de “anticoletivo” de caráter experimental. Esperamos criar neste Laboratório um espaço de questionamento e investigação coletiva sobre a psicanálise, a clínica, a clínica “social” e suas particularidades, além de trabalhar com a perspectiva de fazer cartografias da institucionalidade, ou seja, problematizar as formas de organização, o poder, os fenômenos de grupo, a consistência do Outro e as condições materiais que sustentam as instituições – em especial, as que dizem respeito diretamente à psicanálise, incluindo esta própria.
O LabPCI está sendo fundado ao mesmo tempo e em associação à sua Rede Clínica, embora cada um possa caminhar por direções diferentes, com membros diferentes e para finalidades diferentes.
No LabPCI será importante, como norte, sustentar a heterogeneidade e o dissenso em detrimento da coesão e do consenso. Interessa mais lidar com a problemática das múltiplas diferenças do que com a problemática da ideia de coesão coletiva. Será importante manter na luz a perspectiva de que, na medida em que o engajamento com o Laboratório é uma atividade não-remunerada, essa atividade não deverá ser tratada como obrigatória ou compulsória, uma vez que criaria preocupantes barreiras de entrada e participação. Em uma “sociedade do cansaço”, este não será mais um espaço a reproduzir a lógica de demanda constante por produtividade e trabalho. O engajamento pode acontecer na medida em que houver desejo para tal e só existirá na condição deste.
O LabPCI é um espaço-plataforma para construção e investigação de tudo aquilo que seus membros acharem pertinente dentro do campo da psicanálise, da clínica e da institucionalidade.
Para lidar com o velho dilema organizacional entre modelos verticais (execução e eficiência) e horizontais (democracia e pluralidade), propomos uma solução baseada tanto na ideia ameríndia de “chefe sem autoridade” quanto no “mais-um”, de Jacques Lacan. Trata-se de uma coordenação que existe para:
1. Absorver as tarefas organizacionais de ordem prática. A coordenação assume a responsabilidade pela logística, agendamentos, comunicação e outras demandas executivas. Ela garante o “funcionamento vertical” necessário para que o trabalho do coletivo possa acontecer.
2. Preservar, ao mesmo tempo em que esvazia o lugar de poder, sendo esta posição “sem autoridade”, sem poder efetivo na organização do coletivo. Uma coordenação presente mas sem autoridade difere de uma coordenação ausente ou vaga – o que convidaria alguém a assumi-la.
Se faz necessário que quem ocupa este lugar esteja advertido para a problemática do poder e dos fenômenos de grupo, fazendo função de furo. Esta função é de especial dificuldade por exigir certo nível de abnegação (à qual os psicanalistas estão acostumados).